Pup Play: Pessoas que vivem como cachorros

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Foto: Richard Ansett/Channel 4

Um olhar marcante na subcultura escondida dos praticantes de Pup Play: homens que se vestem e agem como cães

No Reino Unido, estima-se que existam 10.000 praticantes do Pup Play: homens que se vestem em fantasias de cães e se comportam como tal. Este documentário notável explora seu mundo oculto.

O documentário Secret Life of the Human Pups mostra com simpatia esse mundo de pessoas adeptas do Pup Play (brincar como filhotes de cachorros, em tradução livre), que surgiu a partir da comunidade BSDM (sadomasoquismo) e explodiu nos últimos 15 anos com a internet, que uniu e inspirou pessoas com o mesmo desejo pela prática.

As pessoas praticantes do Pup Play fazem questão de afirmar que este comportamento é mais do que se fantasiar e representar como se fosse uma brincadeira, é uma forma de se libertar e se comportar baseado mais nos seus instintos naturais, mesmo que primitivos. Naquele momento eles não se preocupam com roupas, dinheiro, alimento ou trabalho, mas apenas a oportunidade de desfrutar da companhia de outros em um nível muito simples.

No documentário, Spot, Bootbrush, Hexyc e Tibo, outros adeptos ao Pup Play, mostram o seu dia-a-dia sobre quatro patas: urinam em postes, latem, fazem festa para ganhar guloseimas e até agitam os rabos mecânicos acoplados à roupa de látex.

Tom, que é um dos personagens do documentário, é uma pessoa que já gostava de dormir usando uma coleira e possuía fetiche por roupas de lycra e vinil. Aos poucos el foi se empolgando ao conhecer o Pup Play. Agora, sua identidade canina o permite ser um dálmata.

Para David, um escritor que trabalha em academia, Pup Play é uma fuga do mundo racional. “É tão totalmente não-verbal”, ele me diz. “É pré-racional, pré-consciente. É um espaço instintivo, emocional. Mas dentro de cada Pup (filhote de cachorro) há uma pessoa. Isso faz parte da minha identidade, mas é apenas uma parte. Eu também sou um vegetariano, toco piano, tenho um papagaio. Eu estava plantando tomates esta manhã. Posso passar meses sem ir ao espaço de Pup Play”.

Independente das diversas teorias que se pode criar em torno deste universo, o fato é que eles fazem isso somente para se divertirem, para brincar. Devem ser respeitados, assim como toda a diversidade!

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