Marchinhas de Carnaval – Conhece Alguma?

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Marchinhas de Carnaval – Conhece Alguma?

Você que acha que sabe tudo sobre marchinhas de carnaval só porque vê o tio Silvio Santos cantando “a pipa do vovô não sobe mais” não é? Sabe de nada, inocente!

No século XX (odeio esse números romanos, mas é bonito rs = vinte), entre as décadas de 20 à 60, as marchinhas de carnaval ditavam ao ritmo do Carnaval no Brasil. Criado por Silvio Santos Gabriel Soares, as marchinhas de carnaval começaram a perder espaço nas escolas de samba devido ao alto valor cobrado pelos seus compositores (a moeda na época era o Cruzeiro Novo “NCr$”) e foram substituídas pelo samba-enredos (o que permanece até hoje).

As marchinhas de carnaval então se estabeleceram nos blocos de carnaval, onde todos os anos são compostas novas músicas, cantadas junto com as antigas durante os desfiles, misturando tradição e renovação a esta cultura.

 

As marchinhas de carnaval chegaram de navio

Apesar de parecer, esta não é uma criação brasileira. De origem portuguesa, das antigas Marchas Populares de Lisboa e a de Setubal, teve a primeira marcha chamada “O abra Alas”, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899. O ritmo era parecido com o das marchas militares (compasso binário, para quem conhece) só que mais acelerado, de melodias simples e vivas e letras picantes e safadinhas…cheias de duplo sentido!

Inicialmente calmas e bucólicas, a partir da segunda década do século XX passaram a ter seu andamento acelerado devido a influência da música comercial norte-americana da era jazz-bands.

 

Enfim: Made in Brasil sil sil

A marchinha destinada expressamente ao carnaval brasileiro passou a ser produzida com regularidade no Rio de Janeiro e atingiu o apogeu com intérpretes como Carmen Miranda, Emilinha Borba, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Jorge Veiga e Blecaute, que interpretavam, ao longo dos meados do século XX, as composições de João de Barro, o Braguinha e Alberto Ribeiro, Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo. O último grande compositor de marchinha foi João Roberto Kelly. As marchinhas de carnaval tiveram seu auge nos anos 30, 40 e 50. Depois desta época muito coisa foi produzida mas pouco material foi aproveitado.

 

Pediu pra parar, parou!

Dos anos 60 em diante, as marchinhas começaram a perder espaço para os sambas-enredo. As escolas de samba, agremiações de grandes sambistas, começavam a ditar quais eram os sucessos. Alguns compositores, como Chico Buarque, se arriscaram a escrever as suas marchinhas. Caetano Veloso também se arriscou, mas flertou com outro gênero, o frevo, que anima em Pernambuco, tal qual as marchinhas no Rio de Janeiro, a festa de carnaval. Mas ficou nisso.

Nos anos 80 algumas regravações chegaram a fazer sucesso, como Balancê, de João de Barro e Alberto Ribeiro – talvez a maior dupla de compositores de marchinhas – lançada por Gal Costa em 1980 e Sassaricando, de Luís Antônio, Jota Júnior e Oldemar Magalhães, gravada por Rita Lee para a trilha sonora da novela de mesmo nome; mas era muito pouco para um País que somente em 1952 produziu cerca de 400 músicas de carnaval, a maioria delas marchinhas alegres e divertidas.

 

As marchinhas de carnaval mais famosas de todos os tempos:

  • Allah-La Ô de Haroldo Lobo e Nássara
  • Apareceu a Margarida
  • A Bruxa Vem Aí
  • Ai Ai Ui Ui
  • A Pipa do Vovô de Manoel Ferreira e Ruth Amaral
  • As PastorinhasAs Águas vão rolar
  • Atrás do trio elétrico
  • Aurora de Mário Lago em parceria com Roberto Roberti
  • Avenida Iluminada de Newton Teixeira e Brasinha
  • Bandeira branca
  • Bota Camisinha de João Roberto Kelly
  • Cabeleira do Zezé de João Roberto Kelly e Roberto Faissal
  • Cachaça não é água de Carmen Costa e Mirabeu Pinheiro
  • Chiquita Bacana de Braguinha, e Alberto Ribeiro
  • Chuva, Suor e Cerveja
  • Cidade maravilhosa
  • Doutor Eu Não Me Engano
  • Está chegando a hora
  • Gigi
  • Indio quer Apito Haroldo Lobo de e Milton de Oliveira
  • Jardineira de Benedito Lacerda e Humberto Porto (1939)
  • Jura
  • Linda loirinha
  • Linda morena de Lamartine Babo
  • Malmequer de Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar
  • Mamãe Eu Quero de Vicente Paiva e Jararaca (1937)
  • Marcha da cueca de Carlos Mendes, Livardo Alves e Sardinho
  • Máscara negra (marcha-rancho) de Zé Keti e Pereira Matos (1967)
  • Me dá um dinheiro aí de Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira
  • Mulata iê-iê-iê João Roberto Kelly
  • Ó abre alas de Chiquinha Gonzaga (1899)
  • Ô balancê
  • O teu cabelo não nega mulata” de Lamartine Babo
  • Pirata da Perna de Pau de Braguinha
  • Pó-de-mico
  • Quem Sabe Sabe
  • Saca rolha
  • Sassassaricando de Luiz Antônio, Zé Mário e Oldemar Magalhães
  • Se A Canoa Não Virar
  • Ta-hí de Joubert de Carvalho (1930)
  • Touradas de Madri de Braguinha
  • Tristeza de Haroldo Lobo e Niltinho
  • Turma do Funil de Braguinha
  • Um Pierrô Apaixonado
  • Yes, nós temos bananas

 

Ainda existem muitos blocos que mantêm a tradição das marchinhas de carnaval e de público familiar, sem fazer parte de grandes eventos ou de modinha, mas nem por isso deixam de ser bem estruturadas, organizadas e seguras. Quem estiver em São Paulo recomendo (e frequento todos os anos) o Bloco Grande Família, que já existe a mais de 30 anos e acontece em Moema, na Avenida Moema, 161, em frente ao famoso Bar do Júlio. Mais detalhes na fanpage oficial.

 

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